motivos do bullying?
Segundo o IBGE, 1 em cada 5 estudantes já praticaram Bullying! E, de acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde em conjunto com a USP, em 2015, a presença de casos de bullying em escolas públicas e privadas brasileiras aumentou de 5% para 7%. A pesquisa aponta, também, que 51% dos estudantes não sabem o motivo que os levou a praticar a agressão.
Porém, da parcela de estudantes que consegue explicar as causas, os motivos dividem-se entre:
- Aparência do corpo (18,6%)
- Aparência do rosto (16,2%)
- Raça ou cor (6,8%)
- Orientação sexual (2,8%)
- Religião (2,5%)
- Região de origem (1,7%)
O bullying também é proporcionalmente maior entre estudantes do sexo masculino (26,1%) do que o feminino (16%).
De modo geral, de acordo com estudos de psicologia, o autor da prática do bullying é motivado pelo seu desejo de querer ser mais "popular", sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. Este indivíduo não possui empatia pelo outro, e sente-se satisfeito através do sofrimento da vítima. Porém, esse cenário pode ser formado de formas variadas, e está relacionado à diversas experiências que os alunos autores têm em sua família e/ou comunidade. Por exemplo, famílias desestruturadas e convivência com violência (seja doméstica ou não).
alem disso, há os espectadores. E sim, os espectadores também participam do bullying - esse terceiro personagem é responsável pela continuidade da violência. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido e, apesar de não se juntar ao autor da agressão, essas testemunhas não ajudam a vítima.
Os espectadores também podem atuar como plateia ativa ou torcida, reforçando a agressão com risadas ou palavras de incentivo, além de passarem adiante imagens e/ou fofocas.
Como tratar e evitar o bullying? O que fazer?
Uma das partes mais difíceis é a identificação do que está acontecendo.
De modo geral, os casos de bullying dependem da notificação das vítimas ou dos agressores - por isso, são difíceis de serem reportados e contabilizados, uma vez que os agressores, na maioria das vezes, não admitem sua violência ou não consideram as provocações humilhantes. Enquanto isso, as vítimas, geralmente, não denunciam devido ao medo, vergonha, ou por não verem soluções para mudar a realidade.
Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas.
A escola tem papel fundamental no combate ao bullying! Os professores devem ser os primeiros a mostrar respeito e dar bons exemplos e, ao presenciar uma situação, a intervenção deve ser imediata. Com isso, eles ensinam, de modo didático, que nada é resolvido através de violência. Agir contra o bullying é uma forma de diminuir a violência entre estudantes, e também de forma geral na sociedade.
Porém, a responsabilidade não é só dos educadores. É papel da escola como um todo construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas. Ela não deve e não pode ser apenas um local de ensino formal e técnico - também deve ser de formação cidadã, de direitos e deveres, assim como de cooperação e solidariedade. Deve ensinar a conviver com outros cidadãos. Deve buscar conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões dentro e fora do ambiente escolar (como na internet, que configura o cyberbullying, por exemplo). Deve deixar claro que o estabelecimento não tolerará a prática.
O que a lei diz sobre as escolas? Os atos de agressão escolar são atos ILÍCITOS, mas não só porque não estão autorizados pelo ordenamento jurídico, mas por desrespeitarem princípios constitucionais e o Código Civil - todo ato ilícito que cause dano ao próximo gera o dever de indenização. E tem mais: a responsabilidade pela prática de atos de assédio escolar enquadra-se no Código de Defesa do Consumidor, já que as escolas prestam serviços aos consumidores e são responsáveis por atos de assédio escolar que ocorram nesse contexto.
A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
- Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;
- Estimular os estudantes a informar os casos;
- Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
- Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar;
- Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
- Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.
Como a escola é o ambiente em que essa prática mais ocorre, é importante que ela identifique e observe as ocorrências, bem como tome as atitudes corretas. Ela não pode legitimar a ação do agressor, e deve ajudar a fortalecer a auto-estima da vítima, fazendo-o acreditar que ele está em um lugar seguro. Ainda é preciso, também, conscientizar o espectador do bullying, que endossa a ação do agressor.
"A partir do momento em que a escola fala com quem assiste à violência, ele para de aplaudir e o autor perde sua fama" - Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Os pais devem sempre estar presentes no diálogo. A escola também deve incluir os pais nas campanhas de conscientização, para que eles trabalhem o assunto dentro de casa também. Eles são responsáveis por dar apoio aos filhos e os ensinar, desde o começo, que o respeito pelo próximo é essencial. Além disso, é importante que observem o comportamento de seus filhos e mantenham um diálogo aberto para os incentivar a conversar sobre o dia a dia, possibilitando a identificação de algum problema.
É papel dos educadores sempre dialogar com os pais sobre os conflitos, assim como é papel dos pais sempre dialogar com os educadores. A responsabilidade é de ambos! Seja o filho o autor ou alvo do bullying - em ambos os casos o indivíduo necessita de ajuda psicológica e/ou psiquiátrica.
É preciso deixar evidente para crianças e adolescentes que eles podem confiar nos adultos que os cercam para contar sobre os casos! É preciso, também, falar sobre o assunto para promover a conscientização e prevenção.
